Qualquer protesto por melhores condições de vida é justo e válido, desde que se saiba pelo que se está protestando – e não se utilize o movimento como um mero evento festivo ou por pura anarquia –, e se realizado de forma ordeira. Destruir o patrimônio alheio e impedir a liberdade de ir e vir de quem não quer participar não se coaduna com a democracia, que é a base para a própria manifestação.
O que ocorreu no Rio, no final de uma longa passeata, foi criminoso e monstruoso. Não somente na Assembleia Legislativa, mas em muitos outros locais, públicos e privados. Paredes de prédios pichadas, agências bancárias destruídas, pequenas empresas depredadas, carro de repórter incendiado.
Atirar coquetéis molotoves em um prédio fechado, com pessoas dentro, procurando-se, intencionalmente, causar incêndio, é protesto ou tentativa de homicídio? Agredir e apedrejar gratuitamente PMs que acompanhavam a passeata é protesto ou delito de lesão corporal? Conspurcar as paredes do centro histórico do Paço Imperial é protesto ou dano injustificável? Quebrar vidros de lojas e caixas de banco se trata de quê?
Há, nestas passeatas, gente que entende o que está fazendo, e grita por um país melhor. Há, também, jovens que não têm a menor noção do porquê do movimento, e se incorporaram por pura diversão, sugestionados por perigosas relações construídas em redes sociais. E há bandidos, vândalos, canalhas e monstros, todos aproveitadores, que atentam contra o patrimônio, a integridade física e os direitos de outrem, e esses merecem ser alcançados pela mão da Lei.
É de se refletir.
Alexandre Lopes