Objetivo do blog

Como advogado criminal, militante há 22 anos, tentarei ajudar o leitor e participante deste blog a entender casos criminais atuais e notórios.

Alexandre Lopes


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O "PAPELÃO" DE ALGUNS ADVOGADOS



O “PAPELÃO” DE ALGUNS ADVOGADOS

 
Sou advogado, há 20 anos. Contando 2 anos de estágio, atuo, na área criminal, na defesa de acusados dos mais variados ilícitos, pelo lapso de 22 anos.

 Já defendi muita gente, sem cobrar honorários. Mas, somente os que não podiam ou não deveriam realmente pagar, esses últimos por questões pessoais minhas.

 Apesar de jovem, já vi bastante. Na trajetória que segui, espelhei-me em meu maior exemplo: Antonio Evaristo de Moraes Filho. Evaristo foi um grande advogado criminal, que teve, sempre, como cliente a liberdade humana, móvel pujante. Nos tempos sinistros da ditadura militar, defendeu presos e perseguidos políticos, pro bono, por ideal, dever cívico.

Vivemos tempos conturbados de protestos públicos inesgotáveis. Pessoas acampam na porta do Governador. Outros dormem dentro e em frente à Câmara dos Vereadores, objetivando pressionar uma CPI sobre concessões nos transportes. Alguns poucos, quase que diariamente, obstruem vias urbanas importantes, prejudicando milhares de pessoas que têm de ir de casa ao trabalho, do trabalho para casa.

Até aí, malgrado certos excessos, vale a senda democrática. A fim de se viver em liberdade, em uma democracia, há que se pagar o preço módico.

No entanto, há um outro lado: delinquentes, aproveitando a onda, vêm enodoando a cidade do Rio de Janeiro. Tais patifes valem-se da oportunidade para pichar prédios públicos e privados, destruir patrimônio público e privado, saquear lojas, aterrorizar pessoas, provocar acintosamente a Polícia Militar, esperando uma resposta, no intuito de se colocarem como vítimas de violência, perante a confusa opinião pública.

Aliás, jovens bandidos, com o engodo da falsa participação em passeatas, estão transitando mascarados, livremente, portando armas, bombas e outros artefatos incendiários. Inclusive, muitos “coquetéis molotoves” já foram arremessados em policiais e em prédios públicos, repletos de pessoas. Praticaram eles, desimpedidamente, tentativa de homicídio qualificado, o crime mais grave tipificado no Código Penal brasileiro.

 O pior de tudo isso: alguns advogados têm se colocado à disposição, gratuitamente, para defender esses facínoras, que toda semana destroem algo no nosso Rio de Janeiro.

 Todos têm direito à defesa. A questão não é essa. A questão é o significado. O que está por trás. As entrelinhas.

Tenho visto alguns grupos andando pelas ruas da cidade, sob o pretexto de se manifestarem contra algo – geralmente o Governador –, mascarados, repito, tendo, ao lado, dezenas de advogados, prontos para representá-los, de graça, caso sejam presos, porventura, destruindo uma agência bancária, saqueando uma tradicional loja de roupas, invadindo um domicílio, arremessando bombas e tentando matar um Policial Militar.

Estou perplexo. Querem o que esses advogados? Promoverem-se, utilizando o momento? Darem aparência de legitimidade às atitudes dos bandidos que não mostram o rosto? Há serviço de quem esses doutores do direito agem?

Como sabem eles que os mascarados, portadores de “coquetéis molotoves”, porretes, machados etc., estarão em determinado local, em determinado horário? Fazem parte, todos, do mesmo facebook? São avisados, antecipadamente, pelos arruaceiros?

Há algo de muito misterioso nisso. São esses delinquentes, que vêm subvertendo a ordem pública, escondidos por detrás de panos que não permitem identificar suas faces, heróis, como os presos políticos que Evaristo de Moraes defendeu, a ponto de merecerem o patrocínio gratuito e imediato dos solícitos advogados que os acompanham, na marcha da destruição do Rio, no ódio irracional contra a Polícia Militar?

 Será mesmo esse o nosso papel, como advogados criminais, de coonestar, fazendo com que pareçam decentes, quem, sem qualquer provocação, destrói e tenta matar, ateando fogo, em seres humanos?

 
É de se refletir.

 
Alexandre Lopes