O “PAPELÃO” DE ALGUNS ADVOGADOS
Vivemos tempos conturbados de protestos
públicos inesgotáveis. Pessoas acampam na porta do Governador. Outros dormem
dentro e em frente à Câmara dos Vereadores, objetivando pressionar uma CPI
sobre concessões nos transportes. Alguns poucos, quase que diariamente, obstruem
vias urbanas importantes, prejudicando milhares de pessoas que têm de ir de
casa ao trabalho, do trabalho para casa.
Até aí, malgrado certos excessos, vale
a senda democrática. A fim de se viver em liberdade, em uma democracia, há que
se pagar o preço módico.
No entanto, há um outro lado:
delinquentes, aproveitando a onda, vêm enodoando a cidade do Rio de Janeiro.
Tais patifes valem-se da oportunidade para pichar prédios públicos e privados, destruir
patrimônio público e privado, saquear lojas, aterrorizar pessoas, provocar
acintosamente a Polícia Militar, esperando uma resposta, no intuito de se
colocarem como vítimas de violência, perante a confusa opinião pública.
Aliás, jovens bandidos, com o engodo da
falsa participação em passeatas, estão transitando mascarados, livremente,
portando armas, bombas e outros artefatos incendiários. Inclusive, muitos
“coquetéis molotoves” já foram arremessados em policiais e em prédios públicos,
repletos de pessoas. Praticaram eles, desimpedidamente, tentativa de homicídio
qualificado, o crime mais grave tipificado no Código Penal brasileiro.
Tenho visto alguns grupos andando pelas
ruas da cidade, sob o pretexto de se manifestarem contra algo – geralmente o
Governador –, mascarados, repito, tendo, ao lado, dezenas de advogados, prontos
para representá-los, de graça, caso sejam presos, porventura, destruindo uma
agência bancária, saqueando uma tradicional loja de roupas, invadindo um
domicílio, arremessando bombas e tentando matar um Policial Militar.
Estou perplexo. Querem o que esses advogados? Promoverem-se, utilizando o momento? Darem aparência de legitimidade às atitudes dos bandidos que não mostram o rosto? Há serviço de quem esses doutores do direito agem?
Como sabem eles que os mascarados,
portadores de “coquetéis molotoves”, porretes, machados etc., estarão em
determinado local, em determinado horário? Fazem parte, todos, do mesmo
facebook? São avisados, antecipadamente, pelos arruaceiros?
Há algo de muito misterioso nisso. São
esses delinquentes, que vêm subvertendo a ordem pública, escondidos por detrás
de panos que não permitem identificar suas faces, heróis, como os presos
políticos que Evaristo de Moraes defendeu, a ponto de merecerem o patrocínio
gratuito e imediato dos solícitos advogados que os acompanham, na marcha da
destruição do Rio, no ódio irracional contra a Polícia Militar?