ENGENHEIRO, MÉDICO, CONTADOR, ARQUITETO,
ECONOMISTA, MOTORISTA, JOGADOR DE FUTEBOL ETC?
Frases:
1) “Começam essa matéria dizendo que o nosso sistema de justiça penal é, com os
termos do artigo, ‘laughable’[1],
ou seja, risível”. 2) “Eu não concordo com a integralidade do sistema de
justiça penal”.
Tais
frases, que ouvi outro dia, poderiam ter sido ditas por pessoas que não
conhecem, não vivenciam e não dão a mínima para a nossa justiça ou o nosso
sistema jurídico, seja constitucional, seja penal.
Realmente, há engenheiros,
médicos, contadores, arquitetos, economistas, motoristas, jogadores de futebol
etc. que não conhecem, não querem conhecer, e entendem que se existe um sistema
jurídico ou de justiça, no Brasil, a finalidade é enjaular criminosos. Simples
assim.
As
frases, contudo, não foram ditas por personagens distantes do sistema jurídico
penal brasileiro, mas pelo Ministro Joaquim Barbosa (a primeira, comentando um texto
de um periódico americano. Afirmou ele: “Apenas
comentei um artigo de um jornal que eu tenho o hábito de ler. Só isso. E,
pontualmente, disse algo com que eu concordo”),
relator do processo alcunhado “mensalão”, e futuro presidente da mais importante
corte de justiça de nosso país, o Supremo Tribunal Federal, durante o
julgamento.
A
mim, causa perplexidade.
Como
é que um homem que não concorda e diz ser risível o nosso sistema de justiça penal,
“laughable”, na sua dicção americanófila, pode julgar fatos e seus semelhantes,
justamente aplicando nosso direito penal, no curso do processo penal, sob o
signo do princípio constitucional do devido processo legal?
Vou
um pouco mais além: pode este mesmo homem ser juiz e presidente de nossa
Suprema Corte?
Não
vou entrar na discussão dos erros e acertos do julgamento colegiado que se vem
realizando em nosso pretório excelso, mesmo porque não conheço integralmente os
elementos probatórios. Porém, por mim, Joaquim Barbosa não será aplaudido, como
os engenheiros, médicos, arquitetos, economistas, contadores, motoristas,
jogadores de futebol etc., enfim, pessoas em geral, leigas em direito, vêm
fazendo, confundindo suas preferências políticas com, repito, um julgamento
sério de pessoas e fatos.
É
assim que começa. Essas frases dizem muito do julgador, que continuará julgando
outras pessoas e outros fatos, sem acreditar e concordar com sistema de justiça
penal brasileiro, “laughable”, risível, segundo ele.
Trata-se de algo muito
perigoso. Novamente, opinião pessoal minha, deparamo-nos com um retrocesso na
magistratura e no judiciário brasileiro.
Faz lembrar o trecho do
poema de Eduardo Alves da Costa, “No caminho, com Maiakóviski”:
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
É de se refletir!
Alexandre Lopes
Concordo plenamente.
ResponderExcluirContinue escrevendo. Abçs.
Lauro Carneiro
E, refletindo, sigo meu caminho.
ResponderExcluirAguardo, ansiosamente, pelo próximo texto.
Abraços,
Valeu, dr. Pacheco, o grande advogado das madrugadas.
ExcluirAbçs.
Sensacional! Ainda bem que Dr Joaquim aposentou se !
ResponderExcluir